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Porque eu fui à Palestina

Quando começamos a planejar a viagem para Israel, eu tinha uma certeza: queria visitar o local do nascimento de Jesus. Como sabemos, Jesus nasceu em Belém. Até então, o que não havia realizado é que Belém faz parte da Palestina, e que, portanto, está separada de Jerusalém pelo fatídico muro da separação.

Meu namorado, bem mais entendido das questões do Oriente Médio, do que esta que aqui escreve, já tinha conhecimento que esse mesmo muro é recheado de arte urbana, mais precisamente, de grafite, e que, naqueles dias em que estaríamos em Belém, o hotel que se atribui a Banksy abriria suas portas para visitação.

Resolvemos, então, juntar tudo e contratar um guia local para nos acompanhar durante parte desse dia.

Combinamos que nos encontraríamos no CheckPoint 300, já do lado Palestino. Aqui um outro adendo: CheckPoint 300 é como é conhecido um dos numerosos postos de controle israelenses que restringem e controlam a passagem entre as áreas autônomas Palestinas e Israel.

De Jerusalém, pegamos em frente ao Portão de Damasco, o ônibus 24 em direção a Belém. De pronto, pudemos observar a maioria de muçulmanos a ocupar os assentos. Natural.

Bilhetes de ônibus que pegamos em Jerusalém rumo a Belém

Bilhetes de ônibus que pegamos em Jerusalém rumo a Belém

A viagem seguia um misto de ansiedade e tensão. Ansiedade pelo que estávamos à beira de presenciar e tensão, pela incerteza da passagem no checkpoint. Foram mais ou menos 30 minutos do Portão de Damasco até o checkpoint 300.

Descemos do ônibus e já fomos logo entrando no checkpoint. Não fomos parados em nenhum momento pelos policiais israelenses que estavam no local. Passamos seguindo o fluxo dos palestinos, que tinham acesso ao lado israelense da “fronteira”.

Enfim do lado palestino, a visão que se tem é do muro e de vários táxi e taxistas ansiosos pelos turistas que se aventuram em busca das obras de Banksy espalhadas por Belém. Alguns deles já te abordam oferecendo o serviço.

Depois do encontro com nosso guia, começamos a explorar: apreciamos os grafites espalhados pelo muro, visitamos um campo de refugiados, comemos com os locais um pita, tomamos cerveja palestina e, por fim, o hotel de Banksy, antes de seguir para a Igreja da Natividade.

Uma pergunta que muitos me fizeram foi quanto à segurança no West Bank (essa área do muro). A minha resposta foi que eu não me senti insegura em nenhum momento junto aos palestinos. Para ser sincera, o único instante em que o medo quis tomar conta, foi quando eu me aproximei do muro, mas precisamente, de um portão rende à torre de fiscalização, e ouvi um barulho como se ele fosse se abrir. O receio, na verdade, era quanto a quem me observava das torres, e não de quem encontrava em solo.

Entrada do campo de refugiados, com a presença da ONU no local. (A chave faz referência às chaves das casas que os palestinos levaram consigo quando forçados a deixar o local onde moravam em razão da pressão israelense).

Entrada do campo de refugiados, com a presença da ONU no local. (A chave faz referência às chaves das casas que os palestinos levaram consigo quando forçados a deixar o local onde moravam em razão da pressão israelense).

Grafite e ursinho no campo de refugiados que margeia o muro.

Grafite e ursinho no campo de refugiados que margeia o muro.

Entrada do hotel de Banksy

Entrada do hotel de Banksy

Visão de dentro para fora do hotel de Banksy. Dizem o hotel com a "pior vista do mundo".

Visão de dentro para fora do hotel de Banksy. Dizem o hotel com a “pior vista do mundo”.

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Fragmento do museu que há dentro do hotel

Fragmento do museu que há dentro do hotel

Um dos grafites de Banksy espalhados por Belém

Um dos grafites de Banksy espalhados por Belém.

Cerveja Palestina

Cerveja Palestina

Imagem exterior da Igreja da Natividade que passa por reforma e o detalhe da porta bem pequena por onde se entra na igreja. (Os carros de polícia se deveu à presença de um presidente de um país, que eu não lembro o qual, no local).

Imagem exterior da Igreja da Natividade que passa por reforma e o detalhe da porta bem pequena por onde se entra na igreja. (Os carros de polícia se deveu à presença de um presidente de um país, que eu não lembro o qual, no local).

Mãe e filho <3

Mãe e filho <3

Emoção

Emoção

Interior da igreja passando por reformas.

Interior da igreja passando por reformas.

O resultado da minha experiência na Palestina foi absolutamente surreal. Não foi fácil ver e ouvir as manifestações dos palestinos quanto à impossibilidade de ir e vir, às dificuldades para desenvolver o turismo no local e à indignação em razão do desenvolvimento dos “settlements” israelenses em áreas palestinas situadas às margens do muro da separação e que ficou do lado de Israel. O alento se deveu à simpatia do povo (até ganhei um imã numa loja), dos quase inexistentes índices de violência urbana e da esperança em dias melhores.

Tenho vontade de um dia retornar a esse lugar. <3

Quinta do Mocho: lugar para se conhecer em Lisboa

Em tempos de grande discussão sobre o grafite, também conhecido como “arte de rua” ou “arte urbana” ou, do inglês, “street art”, gostaria de compartilhar uma das incríveis experiências que eu tive oportunidade de vivenciar recentemente.

Trata-se de um street art tour por Lisboa, mais precisamente, na Quinta do Mocho

A Quinta do Mocho é um bairro social, localizado em Loures, próximo ao aeroporto de Lisboa. Ele foi criado especialmente para acolher famílias de africanos, vindos das ex-colônias portuguesas naquele continente. Compreende mais de 40 prédios residenciais, dispostos numa forma de vila ou condomínio, como conhecemos aqui no Brasil.

Soubemos desse local, através de um “street art tour” privativo que contratamos com a Filomena, da Estrela D’alva tour, de Lisboa, no qual o Vasco, especialista em grafite, nos conduziu pelas principais intervenções na cidade e arredores.

O Vasco deixou a Quinta do Mocho para o final do tour. Foi o “grand finale”. Veja o porquê:

Vasco nos disse que os moradores do local fizeram uma única exigência: que fosse pintado um mural de Bob Marley. 😉 Infelizmente, não o fotografamos, mas posso dizer que ele também é absolutamente belo e inspirador.

Aqui mais uma informação: a Quinta do Mocho, depois de todas esses murais, vem ganhando um ar novo, digamos assim. Linhas de ônibus passaram a circular até o local. Começam a surgir pequenos comércios dentro do bairro. Os moradores tem mais orgulho de dizer que moram na Quinta do Mocho.

Ele hoje é conhecido como uma galeria de arte a céu aberto. Afinal, são mais de 43 murais em grande tamanho a ocupar o espaço dos prédios lá existentes. Já li, inclusive em alguns blogs, que seria, inclusive, a maior galeria de arte a céu aberto da Europa. 

Minhas impressões pessoais: eu senti algo muito especial andando pelos becos da Quinta do Mocho e a cada instante me deparando com aqueles murais enormes. As músicas alegres que tocavam no interior das casas, cujo som alto nos alcançava, me fazia mergulhar sobre a realidade difícil dos moradores do bairro e sobre a esperança em dias melhores. Foi intenso e impactante estar naquela manhã de domingo na Quinta do Mocho. Quero e espero um dia voltar. <3