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Como foi passar três dias e duas noite no meio da Floresta Amazônica

Uma grande satisfação na minha vida tem sido a reconexão com a natureza e a descoberta do seu poder curativo e de troca de energia. Foi, por isso, que numa viagem ao Amazonas, eu não hesitei e me permiti passar alguns dias totalmente imersa na floresta, em contato com comunidades ribeirinhas, árvores gigantescas, espécies selvagens e muita, muita água doce por todos os lados.

Depois de algumas pesquisas, descobri que poderia fazer isso a um custo razoável, sem deixar de ter um certo conforto nos transportes e habitação, além do que, teria a segurança que alguém experiente me conduziria às mais incríveis experiências. Contratei a empresa Iguana Turismo, por meio da parceria com o Local Hostel, o hostel em que eu hospedei quando estive na cidade de Manaus.

No total, foram três dias e duas noites totalmente imersa na Floresta Amazônica, mais precisamente no Rio Juma, sem qualquer acesso à sinal de celular ou internet. Queria ter passado mais tempo, mas esses dias foram suficientes para me dar um gostinho da experiência amazônica e, sim, querer voltar outras vezes.

1º dia:

* A saga para chegar no rio Juma

A sequência foi exatamente essa: kombi até o porto da Ceasa – lancha para atravessar o rio Negro – kombi novamente – lancha até o nosso hotel de selva. No total, foram aproximadamente 3 horas de muita emoção e aventura.

Local em que fazíamos as refeições e de onde partia nossa lancha para os passeios.

Local em que fazíamos as refeições e de onde partia nossa lancha para os passeios.

Detalhe do dormitório coletivo com os mosquiteiros ;)

Detalhe do dormitório coletivo com os mosquiteiros ;)

Bangalôs individuais

Bangalôs individuais

* Pescando piranhas

Depois que chegamos no hotel de selva, nos acomodamos, almoçamos e no meio da tarde saímos para um passeio de lancha e pescar piranhas. E, sim, eu pesquei uma pra contar história, e essa não é de pescador. :)

* Focagem de jacaré

Essa foi a parte em que eu senti um certo medo. Nosso guia foca com a lanterna nos olhos do jacaré, o qual perde por alguns segundos a capacidade de enxergar. É nesse momento que o animal é capturado com todo o cuidado e sem qualquer risco, nem para ele ou para o humano. Tentei segurar o jacaré com minhas próprias mãos, mas temendo qualquer movimento do bichano e reação distraída de minha parte, preferi deixá-lo aos cuidados dos experientes guias. Pelo menos, toquei no bichinho antes de ele ser colocado novamente no rio.

A prova

2º dia:

* Contemplando o nascer do sol

Não há muito o que dizer…quem sabe sentir através dessas imagens a beleza do momento. Valeu a pena acordar às 5:20 da manhã. E como. <3

No caminho até a parada da lancha no meio do Juma

No caminho até a parada da lancha no meio do Juma

* Caminhada na selva

Depois de acompanhar o nascer do sol, voltamos para o hotel, tomamos café e, na sequência, saímos para uma caminhada na selva. Vimos de tudo um pouco: de formigas que podem ser usadas como repelentes naturais, pulseira feita com folhas de árvores locais a animais diversos, especialmente pássaros. Ainda fomos brindados com uma chuva a lá Amazônia sobre nossas cabeças, o que nos fez correr em disparada até a lancha para retornar ao hotel.

Flor da castanheira

Flor da castanheira que encontramos no meio do caminho

Nosso guia Chitão fazendo minha pulseira. :)

Nosso guia Chitão fazendo minha pulseira. :)

Árvores que tanta vida nos dá.

Árvores que tanta vida nos dá.

 * Banho de rio

Como não poderia deixar de ser, me joguei nas águas do rio Juma. Tudo bem, entrei com minha peculiar cautela em si tratando de água e profundidade, mas não podia deixar a chance passar. Também fiquei na espreita de um casal de botos, que aqui acolá apareciam, me assustarem. Mas eles não mais apareceram.

Um brinde! :p

Um brinde! :p

* Dormindo na selva

Era chegada a tardezinha e começamos a nos preparar para passar a noite acampados no meio da floresta. Nosso guia, acostumado com essa experiência, tinha tudo preparado: as nossas redes com seus respectivos mosqueteiros; um frango, que seria assado com o auxílio das estacas coletadas na própria floresta; algumas cervejas para embalar as conversas à beira da fogueira; o pó do café que serviria para o café da manhã no dia seguinte, assim como as bolachas de água e sal.

Para chegar ao nosso acampamento (leia-se: a estrutura de palha que cobriria nossas cabeças), pegamos uma lancha e velejamos por aproximadamente 1 hora. Chegando no local, ajudamos a descarregar os aparatos que havíamos levado, “armamos” nossas redes e ajudamos a preparar o jantar. Conversa vai, conversa vem, o sono chegou e junto com ele a expectativa de dormir com o som dos mosquitos e do balançar das folhas. Fora o receio de sair da rede durante a noite e se deparar com um animal selvagem. Vai que… 

Quando o dia amanheceu, era incrível perceber a sensação de paz, tranquilidade e serenidade que nos invadia.

Visão a partir da cabana

Visão a partir da cabana

Rede com mosquiteiro

Rede com mosquiteiro

Nosso guia em ação

Nosso guia em ação

O jantar :p

O jantar :p

Café da manhã na selva

Café da manhã na selva

Café na cuia.

Café na cuia.

3º dia:

* Visita à casa de caboclo

Depois do café da manhã, nos organizamos para deixar o acampamento e visitar a casa de um caboclo da região. 

Eu e Chitão, nosso guia nota 10!

Eu e Chitão, nosso guia nota 10!

Na verdade, a figura que mais me impressionou, foi uma cabocla, de nome Nazaré, com seus quarenta e poucos anos e seus 14 filhos (!).

Ouvimos e contamos histórias. É incrivelmente fantástico tentar entender como aquelas pessoas vivem isoladas de tudo e de todos, sem qualquer tecnologia, a não ser o pequeno sinal de rádio que lá chega. Comprei um par de brincos e uma pulseira de semente de açaí feita pela família da Dona Nazaré e foi apenas isso, além das memórias, que fotografei do local.

* Hora da despedida

Depois de três dias convivendo com pessoas diferentes e em um lugar totalmente diverso do seu habitat natural, é natural que a intensidade do momento gere uma despedida mais saudosa. Foi assim que eu me senti.

Felizmente, restaram as trocas de contatos de telefone e redes sociais para que as memórias não se percam por completo.

<3

<3

Razões para conhecer a Amazônia Brasileira

Estamos cansados de comentar que nós, brasileiros, não conhecemos a Amazônia. Resolvi há algum tempo sair dessa estatística que pouco me orgulhava. Afinal, eu, nascida tão pertinho, não a conhecia.

Não! Não é preciso grandes planejamento ou investimento financeiro para conhecer a floresta, apesar de lá haver opções das mais diversas e para todos os gostos e bol$o$. Diria eu que, um punhado de boa vontade e sorte em encontrar uma promoção de passagem aérea já são mais do que suficientes para se chegar na região Norte do Brasil. E foi isso o que aconteceu comigo.

Em janeiro deste ano (justo quando eclodiu aquele problema carcerário no local, lembra?), passei seis dias, divididos entre Manaus e um hotel de selva no meio da Floresta, mais precisamente nas margens do Rio Juma. E, sim, eu fui sozinha!

Vivi uma das mais incríveis experiências da minha vida por lá e aqui estão algumas das razões pelas quais eu recomendo fortemente incluir Manaus e região nos próximos roteiros de viagem:

1) A chegada na capital Amazonense é uma das mais incríveis que meus olhos já viram.

Reparem no mundaréu de água doce

Reparem no mundaréu de água doce

2) Manaus é bastante rica em cultura e história. Esta cidade, por exemplo, foi a primeira capital a ter energia elétrica no Brasil. Andando por suas ruas e praças, é fácil perceber os prédios históricos coloridos a enfeitar ainda mais o lugar.

Vista do Largo de São Sebastião. a partir do Teatro Amazonas.

Vista do Largo de São Sebastião. a partir do Teatro Amazonas.

 3) Manaus é cheia de arte urbana, especialmente o grafite. A cada esquina é possível encontrar murais com referência à cultura indígena.

4) Vale a pena experimentar a culinária local. Eu gostei bastante do x-caboquinho, sanduíche recheado com queijo coalho e tucumã, uma fruta da região bastante rica em vitaminas A, B e C. Dizem que ela tem 90 vezes mais vitamina A que o abacate. 😮

Salivei! :p

Salivei! :p

5) Você tem a possibilidade de conhecer e se conectar um pouco mais com as suas origens, como por exemplo, visitando reservas indígenas.

Visitando uma reserva indígena próximo a Manaus

Visitando uma reserva indígena próximo a Manaus

6) É possível viver experiências na selva de forma segura e organizada (vou escrever mais sobre num próximo post), e sem pagar muito por isso.

Contemplando o nascer de um novo dia no meio da Floresta Amazônica

Contemplando o nascer de um novo dia no meio da Floresta Amazônica (eu de chapéu e blusa amarela) \o/

 7) São várias as surpresas ao longo do caminho. A Amazônia é superlativa.

Encontro casual ;)

Encontro casual ;)

8) Na região, o intercâmbio cultural é intenso.

Na foto, temos: brasileiros, uruguaio, iraniano, chinesa e guianense

Na foto, temos: brasileiros, uruguaio, iraniano, chinesa e guianense